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1.HISTORIAL DA AICL, a sociedade civil atuante (após 30 colóquios da lusofonia)

1.1.HISTORIAL

Aqui se traça em linhas gerais o já longo percurso da AICL. Um exemplo da sociedade civil num projeto de Lusofonia sem distinção de credos, nacionalidades ou identidades culturais. 

Em 2001, os Colóquios brotaram do intuito do nosso primeiro patrono JOSÉ AUGUSTO SEABRA de criar uma Cidadania da Língua, proposta radicalmente inovadora num país tradicionalista e avesso a mudanças. Queríamos que todos se irmanassem na Língua que nos une. Tínhamos gerido o seu projeto ALFE desde 1997 e quisemos torná-lo universal. Pretendíamos catapultar a Língua para a ribalta, numa frente comum, na realidade multilingue e multicultural das comunidades que a usam. A nossa noção de LUSOFONIA abarca os que falam, escrevem e trabalham a língua, independentemente da cor, credo, religião ou nacionalidade.

Gostaria de parafrasear Martin Luther King, 28 agosto 1963, I had a dream…” para explicar como nascidos em 2001 já realizámos trinta Colóquios da Lusofonia (dois ao ano desde 2006 quando passamos a incluir a divulgação da açorianidade literária) numa demonstração de como ainda é possível concretizar utopias num esforço coletivo.

Cremos que podemos fazer a diferença, congregados em torno de uma ideia abstrata e utópica, a união pela mesma Língua. Partindo dela podemos criar pontes entre povos e culturas no seio da grande nação lusofalante, independentemente da nacionalidade, naturalidade ou ponto de residência. 

Os colóquios juntam os congressistas no primeiro dia de trabalhos, compartilhando hotéis, refeições, passeios e, no último dia despedem-se como se de amigos - as de longa data se tratasse, partilham ideias, projetos, criam sinergias, todos irmanados do ideal de “sociedade civil” capaz e atuante, para – juntos – atingirem o que as burocracias e hierarquias não podem ou não querem. É o que nos torna distintos de outros encontros científicos do género. É a informalidade e o contagioso espírito de grupo que nos irmana, que nos tem permitido avançar com ambiciosos projetos. Somos um vírus altamente contagioso fora do alcance das farmacêuticas.

Desde a primeira edição abolimos os axiónimos, ou títulos apensos aos nomes, esse sistema nobiliárquico português de castas que distingue as pessoas sem ser por mérito. Tentamos que todos sejam iguais dentro da nossa associação e queremos que todas contribuam, na medida das suas possibilidades, para os nossos projetos e sonhos... A nossa filosofia tem permitido desenvolver projetos onde não se reclama a autoria, mas a partilha do conhecimento. Sabe-se como isso é anátema nos corredores bafientos e nalgumas instituições educacionais (universidades, politécnicos e liceus para usar a velha designação), e daí termos tido o 21º Colóquio na esplanada de uma praia… 

Em 2010 passamos a associação cultural e científica sem fins lucrativos e, em dezembro de 2015 passamos a ser uma entidade cultural de utilidade pública.

Desconheço quando, como ou porquê se usou o termo lusofonia pela primeira vez, mas quando cheguei da Austrália (a Portugal) fui desafiado pelo meu saudoso mentor, José Augusto Seabra, a desenvolver o seu projeto de Lusofalantes na Europa e no Mundo e aí nasceram os Colóquios da Lusofonia. Desde então, temos definido a nossa versão de Lusofonia como foi expresso ao longo destes últimos anos, em cada Colóquio.

Esta visão é das mais abrangentes possíveis, e visa incluir todos numa Lusofonia que não tem de ser Lusofilia nem Lusografia e muito menos a Lusofolia que, por vezes, parece emanar da CPLP e outras entidades. Ao aceitarem esta nossa visão muitas pontes se têm construído onde hoje só existem abismos, má vontade e falsos cognatos. Felizmente, temos encontrado pessoas capazes de operarem as mudanças.

Só assim se explica que depois de José Augusto Seabra, hoje, os nossos patronos sejam Malaca Casteleiro (Academia das Ciências de Lisboa), Evanildo Bechara (Academia Brasileira de Letras) e a Academia Galega da Língua Portuguesa. Depois, acrescentamos como sócios honorários e patronos Dom Ximenes Belo em 2015 e em 2016 José Ramos-Horta (os lusofalantes do Prémio Nobel da Paz 1996), a que se juntaram (em 2016) Vera Duarte da Academia Cabo-Verdiana de Letras e \a Academia de Letras de Brasília. Aguardamos a prometida adesão da Academia Angolana a este projeto. O espaço dos Colóquios da Lusofonia é um espaço privilegiado de diálogo, de aprendizagem, de intercâmbio e partilha de ideias, opiniões, projetos por mais díspares ou antagónicos que possam aparentar. É esta a Lusofonia que defendemos como a única que permitirá que a Língua Portuguesa sobreviva nos próximos duzentos anos sem se fragmentar em pequenos e novos idiomas e variantes que, isoladamente pouco ou nenhum relevo terão.

Se aceitarmos todas as variantes de Português sem as discriminarmos ou menosprezarmos, o Português poderá ser com o Inglês uma língua universal colorida por milhentos matizes da Austrália aos Estados Unidos, dos Açores às Bermudas, à Índia e a Timor. O Inglês para ser língua universal continuou unido com todas as suas variantes.

 

 Ao longo de quase duas décadas realizamos colóquios em vários locais. Começámos no Porto, depois tivemos Bragança (como base entre 2003 e 2010), Brasil (Floripa 2010), Macau (2011), Ourense (Galiza 2012), Seia (2013 e 2014), Fundão (2015), Montalegre (2016), Belmonte (2017 e 2018), e nos Açores na Ribeira Grande (2006-2007), Lagoa em São Miguel 2008-2012), Vila do Porto (Santa Maria 2011 e 2017), Maia (S Miguel 2013), Moinhos de Porto Formoso (São Miguel 2014), Santa Cruz da Graciosa (2015), Lomba da Maia (S Miguel, Açores 2016), Madalena do Pico 2018.

Os Colóquios são independentes de forças políticas e institucionais, através do pagamento das quotas dos associados e do pagamento de inscrições dos congressistas. Buscam apoios protocolados especificamente para cada evento, concebido e levado a cabo por uma rede de voluntários. Pautam-se pela participação de um variado leque de oradores, sem temores nem medo de represálias. Ao nível logístico, tentam beneficiar do apoio das entidades com visão para apoiar a realização destes eventos. Estabeleceram várias parcerias e protocolos com universidades, politécnicos, autarquias e outros que permitem embarcar em projetos mais ambiciosos e com a necessária validação científica.

Nos Açores, agregaram académicos, estudiosos, artistas plásticos e escritores em torno da identidade açoriana, sua escrita, lendas e tradições, numa perspetiva de enriquecimento da LUSOFONIA. Pretendia-se divulgar a identidade açoriana não só nas comunidades lusofalantes, mas em países como a Roménia, Polónia, Bulgária, Rússia, Eslovénia, Itália, França, e onde têm sido feitas traduções de obras e de excertos de autores açorianos, além de dois livros de autor, das quatro (4) antologias que já publicamos, dois (2) livros de Dom Ximenes Belo dedicados aos Missionários Açorianos em Timor, a história infantojuvenil trilingue O menino e o crocodilo de Ramos-Horta entre várias outras obras que editamos.

SOMOS uma enorme tertúlia reforçando a lusofonia e a açorianidade.

De referir que em todos os colóquios mantivemos sempre uma sessão dedicada à tradução que é uma importante forma de divulgação da nossa língua e cultura. Veja-se o exemplo de Saramago que vendeu mais de um milhão de livros nos EUA onde é difícil a penetração de obras de autores de outras línguas e culturas.

Provámos a vitalidade da sociedade civil quando congregámos vontades e esforços de tantos académicos e investigadores como aqueles que hoje dão vida aos nossos projetos. Esperemos que mais se juntem à AICL – Colóquios da Lusofonia - para fazermos chegar o nosso MANIFESTO a toda a gente e aos governos dos países de expressão portuguesa. Ponto de partida para o futuro que ambicionamos e sonhamos. Com a vossa ajuda e dedicação muito mais podemos conseguir como motor pensante da sociedade civil.

Solução - síntese:

Transformar a consciência do Português. O processo deve começar na comunidade onde vive e convive o cidadão. A comunidade, quando está politicamente organizada em Associação de Moradores, Clube de Mães, Clube de Idosos, etc., torna-se um microestado. As transformações desejadas serão efetuadas nesses microestados, que são os átomos do organismo nacional – confirma a Física Quântica.

Ao analisarmos a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria segue o paradigma quântico, isto é, a prevalência do espírito sobre a matéria, ao adotarem os seguintes princípios de vida:

1. A ética, como base;

2. A integridade;

3. A responsabilidade;

4. O respeito às leis e aos regulamentos;

5. O respeito pelos direitos dos outros cidadãos;

6. O amor ao trabalho;

7. O esforço pela poupança e pelo investimento;

8. O desejo de superação;

9. A pontualidade.

Somos como somos, porque vemos os erros e encolhemos os ombros dizendo: “não interessa!” 

A preocupação de todos deve ser com a sociedade, que é a causa, e não com a classe política, que é o triste efeito. Só assim conseguiremos mudar o Portugal de hoje.

Vamos agir!

Muito mais se poderia dizer sobre a ação dos Colóquios quer a nível das suas preocupações com o currículo regional dos Açores e outras questões nacionais e internacionais, mas o que atrás fica dito espelha bem a realidade das nossas iniciativas.

 
No 1º Colóquio 2002 afirmou-se:

Pretende-se repensar a Lusofonia, como instrumento de promoção e aproximação de povos e culturas.

O Porto foi a cidade escolhida, perdida que foi a oportunidade, como Capital Europeia da Cultura, de fazer ouvir a sua voz nos mídia nacionais e internacionais como terra congregadora de esforços e iniciativas em prol da língua de todos nós, da Galiza a Cabinda e Timor, passando pelos países de expressão portuguesa e nos outros onde não sendo Língua oficial existem Lusofalantes.

 

Há tempos (2002) o emérito linguista anglófono Professor David Crystal escrevia-nos dizendo:

O Português parece-me, tem um futuro forte, positivo e promissor garantido à partida pela sua população base de mais de 200 milhões, e pela vasta variedade que abrange desde a formalidade parlamentar até às origens de base do samba. Ao mesmo tempo, os falantes de português têm de reconhecer que a sua língua está sujeita a mudanças – tal como todas as outras – e não se devem opor impensadamente a este processo.

Quando estive no Brasil, no ano passado, por exemplo, ouvi falar dum movimento que pretendia extirpar todos os anglicismos. Para banir palavras de empréstimo doutras línguas pode ser prejudicial para o desenvolvimento da língua, dado que a isola de movimentações e tendências internacionais.

 O Inglês, por exemplo, tem empréstimos de 350 línguas – incluindo português – e o resultado foi ter-se tornado numa língua imensamente rica e de sucesso. A língua portuguesa tem a capacidade e força para assimilar palavras de Inglês e de outras línguas mantendo a sua identidade distinta. Espero também que o desenvolvimento da língua portuguesa seja parte dum atributo multilingue para os países onde é falada para que as línguas indígenas sejam também faladas e respeitadas, O que é grave no Brasil dado o nível perigoso e crítico de muitas das línguas nativas.”

 

Posteriormente, contactei aquele distinto linguista preocupado com a extinção de tantas línguas e a evolução de outras, manifestando-me preocupado pelo desaparecimento de tantas línguas aborígenes no meu país e espantado pelo desenvolvimento de outras. Mostrava-me apreensivo pelos brasileirismos e anglicismos que encontrara em Portugal após 30 anos de diáspora. Mesmo admitindo que as línguas só têm capacidade de sobrevivência se evoluírem eu alertava para o facto de terem sido acrescentadas ao léxico 600 palavras pela Academia Brasileira (1999) das quais a maioria já tinha equivalente em português.

Sabendo como o Inglês destronou línguas (celtas e não só) em pleno solo do Reino Unido a partir do séc. V, tal como Crystal (1977) afirma no caso do Câmbrico, Norn e Manx, perguntava ao distinto professor qual o destino da língua portuguesa, sabendo que o nível de ensino e o seu registo linguístico eram cada vez mais baixos, estando a ser dizimados por falantes, escribas, jornalistas e políticos ignorantes, sem que houvesse uma verdadeira política da língua em Portugal.

 

A sua resposta em março 2002 pode-nos apontar um de muitos caminhos. Diz Crystal:

“As palavras de empréstimo mudam, de facto, o caráter duma língua, mas como tal não são a causa da sua deterioração. A melhor evidência disto é, sem dúvida, a própria língua inglesa que pediu de empréstimo mais palavras do que qualquer outra, e veja-se o que aconteceu ao Inglês.

De facto, cerca de 80% do vocabulário Inglês não tem origem Anglo-Saxónica, mas sim das línguas Românticas e Clássicas incluindo o Português. É, até, irónico que algumas dos anglicismos que os Franceses tentam banir atualmente derivem de Latim e de Francês na sua origem. Temos de ver o que se passa quando uma palavra nova penetra numa língua. No caso do Inglês, existem triunviratos interessantes como kingly (Anglo-saxão), royal (Francês), e regal (Latim) mas a realidade é que linguisticamente estamos muito mais ricos tendo três palavras que permitem todas as variedades de estilo que não seriam possíveis doutro modo. Assim, as palavras de empréstimo enriquecem a expressão.

Até hoje nenhuma tentativa de impedir a penetração de palavras de empréstimo teve resultados positivos. As línguas não podem ser controladas. Nenhuma Academia impediu a mudança das línguas. Isto é diferente da situação das línguas em vias de extinção como por exemplo debati no meu livro Language Death.

Se as línguas adotam palavras de empréstimo isto demonstra que elas estão vivas para uma mudança social e a tentar manter o ritmo. Trata-se dum sinal saudável desde que as palavras de empréstimo suplementem e não substituam as palavras locais equivalentes.

O que é deveras preocupante é quando uma língua dominante começa a ocupar as funções duma língua menos dominante, por exemplo, quando o Inglês substitui o Português como língua de ensino nas instituições de ensino terciário. É aqui que a legislação pode ajudar e introduzir medidas de proteção, tais como obrigação de transmissões radiofónicas na língua minoritária, etc. existe de facto uma necessidade de haver uma política da língua, em especial num mundo como o nosso em mudança constante e tão rápida, e essa política tem de lidar com os assuntos base, que têm muito a ver com as funções do multilinguismo. Recordo ainda que não é só o Inglês a substituir outras línguas. No Brasil, centenas de línguas foram deslocadas pelo português, e todas as principais línguas: espanhol, chinês, russo, árabe afetaram as línguas minoritárias de igual modo.”

 

Por partilhar a opinião do professor David Crystal espero que possam todos repensar a Lusofonia como instrumento de promoção e aproximação de culturas sem exclusão das línguas minoritárias que com a nossa podem coabitar.

 
Em 2002.... 

Patenteamos que era possível ser-se organizacionalmente INDEPENDENTE e descentralizar estes eventos sem subsidiodependências e os Colóquios já se afirmaram como a única realização regular, concreta e relevante - em todo o mundo - sobre esta temática, sem apoios nem dependências.

Os Colóquios inovaram, na sua primeira edição, e introduziram o hábito de entregar as Atas em DVD - CD no ato de acreditação dos participantes.

 
No 2º Colóquio [2003] afirmou-se:

“só através de uma política efetiva de língua se poderá defender e promover a expansão do espaço cultural lusófono, contribuindo decisivamente para a sedimentação da linga portuguesa como um dos principais veículos de expressão mundiais. Que ninguém se demita da responsabilidade na defesa do idioma independentemente da pátria. Hoje como ontem, a língua de todos nós é vítima de banalização e do laxismo.

Em Portugal, infelizmente, a população está pouco consciente da importância e do valor do seu património linguístico. Falta-lhe o gosto por falar e escrever bem, e demite-se da responsabilidade que lhe cabe na defesa da língua que fala. Há outros aspetos de que, por serem tão correntes, já mal nos apercebemos: o mau uso das preposições, a falta de coordenação sintática, e a violação das regras de concordância, que, logicamente, afetam a estrutura do pensamento e a expressão. Além dos tratos de polé que a língua falada sofre nos meios de comunicação social portugueses, uma nova frente se está a abrir com o ciberespaço e com as novas redes de comunicação em tempo real. Urge, pois, apoiar a formação linguística dos meios de comunicação social, promover uma verdadeira formação dos professores da área, zelar pela dignificação da língua portuguesa nos organismos internacionais, dotando-os com um corpo de tradutores e intérpretes profissionalmente eficazes.

A atual crise portuguesa não é meramente económica, mas reflete uma nação em crise, dos valores à própria identidade. Jamais podemos esquecer que a língua portuguesa mudou através dos tempos, e vai continuar a mudar. A língua não é um fóssil. Também hoje, a mudança está a acontecer. Num país em que falta uma visão estratégica para uma verdadeira POLÍTICA DA LÍNGUA, onde o cinzentismo e a uniformidade são a regra de referência, onde a competição é uma palavra tabu, onde o laxismo e a tolerância substituem a exigência e a disciplina, onde a posse de um diploma superior constitui ainda uma vantagem competitiva, claro que continua a grassar a desresponsabilização.

Os cursos superiores estão ainda desajustados do mercado de trabalho, as empresas vivem alheadas das instituições académicas, existem cursos a mais que para nada servem, existem professores que mantêm cursos abertos para se manterem empregados. Ao contrário do que muitos dizem Portugal não tem excesso de licenciados, mas sim falta de empregos. Mas será que falam português? “

 
No 3º Colóquio [2004],

cujo tema era a Língua Mirandesa, dizia-se que o Colóquio, como pedrada no charco que pretendia ser, visava alertar para uma segunda língua nacional que mal sabemos que existe e cujo progresso é já bem visível em menos duma década de esforço abnegado e voluntarioso duma mão cheia de pessoas que acreditaram. Alertávamos para a necessidade de sermos competitivos e exigentes, sem esperar pelo Estado ou Governo e tomarmos a iniciativa em nossas mãos. Assim como criamos estes Colóquios, também cada um pode criar a sua própria revolução, em casa com os filhos, com os alunos, com os colegas e despertar para a necessidade de manter viva a língua de todos nós. Sob o perigo de soçobrarmos e passarmos a ser ainda mais irrelevantes neste curto percurso terreno.

Nesse ano, lançamos a campanha que salvou da extinção o importante portal Ciberdúvidas.

 
No 4º Colóquio [em 2005] sobre a Língua Portuguesa em Timor-Leste

 “O português faz parte da História timorense. Não a considerar uma Língua oficial colocaria em risco a sua identidade”, defende o linguista australiano Geoffrey Hull no seu recente livro Timor-Leste. Identidade, língua e política educacional. A língua portuguesa "tem-se mostrado capaz de se harmonizar com as línguas indígenas" e é tanto mais plausível porque "o contacto com Portugal renovou e consolidou a cultura timorense e quando Timor-Leste emergiu da fase colonial não foi necessário procurar uma identidade nacional, o país era único do ponto de vista linguístico. O português não é um idioma demasiado difícil para os timorenses pois estes já possuem um relativo conhecimento passivo do português, devido ao facto de que já falam o Tétum-Díli", afirma Hull. "

A juventude deve fazer um esforço coletivo para aprender ou reaprender a língua portuguesa”. Estas eram, de facto, as premissas com que partimos para o 4º Colóquio. Tivemos a presença do Prémio Nobel da Paz, D. Carlos Filipe Ximenes Belo, e a exposição de fotografia do Presidente Xanana Gusmão (Rostos da Lusofonia). Durante dois dias foi debatido o futuro do português na ex-colónia, além de temas mais genéricos como as tradições, a literatura e a tradução em geral. Em termos linguísticos é a primeira vez que se faz uma experiência destas no mundo: impor-se uma Língua oficial numa nação onde não existe uma língua própria, mas várias línguas: a franca (Tétum) e vários dialetos.

A organização do Colóquio entende que "foi sobremodo graças à ação da Igreja Católica que a língua portuguesa se manteve em Timor", e dai a relevância da presença do Bispo resignatário de Díli, D. Carlos Ximenes Belo, no segundo dia de trabalhos. Dentre os temas debatidos focando aspetos curiosos da Geografia à História de Timor, passando pelo Ensino e Cooperação, é importante realçar que os projetos com melhor e maior acolhimento foram aqueles que saíram das linhas institucionais rígidas. Trata-se de projetos em que os professores e cooperantes adaptaram os programas à realidade timorense e assim conseguiram uma adesão e participação entusiástica dos timorenses, que hoje os substituem já nessas tarefas. Este aspeto é notável, pois colide com a burocracia oficial e rígida que estipula quais os programas a aplicar sem conhecimento da realidade local e suas idiossincrasias.

A ideia transversal e principal deste Colóquio era o futuro do português em Timor.

“O Tétum está a ser enriquecido com toda uma terminologia que deriva automaticamente do português, e não do Inglês. Enquanto as línguas tradicionais cada vez mais se servem do Inglês, o Tétum está a servir-se do português para criar palavras que não existem o que enriquece tanto o português como o Tétum”.

 
Em 2006, no 6º Colóquio debateram-se os modelos de normalização linguística na Galiza

 e a situação presente, onde o genocídio linguístico atingiu uma forma nova e subtil, pela promoção social, escolar e política de uma forma oral e escrita deturpada, castelhanizada, a par de uma política ativa de exclusão dos dissidentes lusófonos (os denominados reintegracionistas e lusistas). Debateu-se uma Galiza que luta pela sobrevivência linguística, numa altura em que a UNESCO advertiu do risco de castelhanização total nas próximas décadas.

Falou-se de história, dos vários avanços e recuos e de vários movimentos a favor da língua portuguesa na Galiza, apontaram-se soluções, sendo exigida a reintrodução do Português na Galiza através de várias formas e meios. Existe aqui ampla oportunidade para as televisões portuguesas descobrirem aquele mercado de quase três milhões de pessoas. As oportunidades comerciais de penetração da Galiza podem ser uma porta importante para a consolidação da língua naquela Região Autónoma.

Foi sobejamente assinalada a quase generalizada apatia e desconhecimento do problema da língua na Galiza por parte dos portugueses e o seu esquecimento por parte das entidades oficiais sempre temerosas de ofenderem o poder central em Madrid. Faltam iniciativas como esta para alertar, um número cada vez maior, as pessoas para este genocídio linguístico, desconhecido e que mora mesmo aqui ao lado.

O atual impacto mundial da língua portuguesa existe sobretudo por ação dos outros. A República Popular da China prepara [em Macau] os seus melhores quadros para dominarem a língua portuguesa e desta forma conquistarem os mercados lusófonos. Irá depender sobretudo do esforço brasileiro em liderar que a Lusofonia poderá avançar, levando a reboque os países africanos ainda cheios de complexos do seu velho e impotente colonizador Portugal.

A língua portuguesa é alimentada de forma diferente de acordo com as realidades sociais, económicas, culturais, etc., dos países onde está instituída e os quais estão geograficamente distantes uns dos outros. A Língua Portuguesa pode ser o veículo de aproximação entre os países lusófonos e as comunidades lusofalantes.

Os meus compatriotas aborígenes australianos preservaram a sua cultura ao longo de sessenta mil anos, sem terem escrita própria, mas a sua cultura foi mantida até aos dias de hoje, pois assentava na transmissão via oral de lendas e tradições. Este é um dos exemplos mais notáveis de propagação das caraterísticas culturais de um povo que nunca foi nação. Devemos aceitar a Lusofonia e todas as suas diversidades culturais sem exclusão, que com a nossa podem coabitar.

 
Em 2007, buscou-se um tema ainda mais polémico e a necessitar de debate: “O Português no século XXI, a variante brasileira rumo ao futuro.

O risco real da separação ou não. Unificação ou diversificação: esta a agenda para as próximas décadas.” Assim, a verificar-se (e creio ser só uma questão de tempo) a emancipação da variante brasileira, a língua portuguesa europeia estará condenada a uma morte lenta associada a uma rápida diminuição e envelhecimento da população de Portugal que aponta para uns meros 8,7 milhões em 2050 contra os atuais 10,7 milhões.

Os desafios que se põem nestes Colóquios são grandes…

O Português, ao contrário do que muitos pensam não tem pernas para andar sozinho com uma população entre 9 e 15 milhões se incluirmos os expatriados, e tem de contar sobretudo com o número de falantes no Brasil, Galiza, Angola, Moçambique, Timor, Cabo Verde, S. Tomé, Guiné-Bissau e por toda a parte onde haja comunidades de lusofalantes, mesmo nas velhas comunidades esquecidas de Goa a Malaca.

São lusofalantes os que têm o Português como língua, seja Língua-Mãe, língua de trabalho ou língua de estudo, vivam eles no Brasil, em Portugal nos PALOP’s, na Galiza, em Macau ou em qualquer outro lugar, sejam ou não nativos, naturais, nacionais ou não de qualquer país lusófono.

 
Em 2008 foi atribuído o 1º Prémio Literário da Lusofonia e debateu-se, pela primeira vez em Portugal, o Acordo Ortográfico 1990.

 Inaugurámos a Academia Galega da Língua Portuguesa e o Presidente da Academia de Ciências de Lisboa Professor Adriano Moreira deslocou-se propositadamente para dar “o apoio inequívoco da Academia de Ciências aos Colóquios da Lusofonia”. Na sequência da vinda, doaria o seu espólio a Bragança onde se encontra na Biblioteca Municipal com o seu nome. Idêntica visita ocorreu em 2009 na Lagoa (Açores) onde se homenagearam Dias de Melo e Daniel de Sá.

Prosseguimos, incansáveis, a campanha pela implementação total do Acordo Ortográfico 1990, com o laborioso apoio de Malaca Casteleiro e Evanildo Bechara na luta pela Língua unificada que propugnamos para as instâncias internacionais. Desde então, esta é regra inelutável da AICL sobre a Ortografia: dado haver inúmeras ortografias oficiais em Portugal e no Brasil, a AICL converteu e uniformizou, para o AO 1990, todos os escritos posteriores a 1911, incluindo títulos de obras. A caótica ortografia anterior a 1911 foi mantida sempre que possível.

 
Em 2009 nos 11º e 12º colóquios definimos os projetos do MUSEU DA LUSOFONIA (Bragança) e do MUSEU DA AÇORIANIDADE (Lagoa),

que infelizmente não tiveram cabimento financeiro. O projeto de Bragança viria a desenvolver-se sem a nossa paternidade após 2016, e reavivamos esse projeto em Belmonte 2017 para ser integrado no Museu dos Descobrimentos com apoio da Câmara local.

Em 2009 convidámos o escritor Cristóvão de Aguiar para a primeira Homenagem Contra O Esquecimento, que incluía ainda Carolina Michaëlis, Leite de Vasconcellos, Euclides Da Cunha, Agostinho da Silva, Rosália de Castro.

Um protocolo foi estabelecido em 2009 com a Universidade do Minho para ministrar um Curso Breve de Estudos Açorianos que decorreu em 2011.

 
Em janeiro de 2010 lançámos os Cadernos de Estudos Açorianos

 (em formato pdf no nosso portal https://www.lusofonias.net/acorianidade/cadernos-acorianos-suplementos.html que trimestralmente publicámos, estando disponíveis mais de três dezenas de cadernos, suplementos e vídeo-homenagens a autores açorianos. Servem de suporte ao curso de Açorianidades e Insularidades que pretendemos (um dia) levar em linha - online - para todo o mundo e de iniciação para os que querem ler autores açorianos cujas obras dificilmente se encontram.

Nesse ano, o 13º colóquio deslocou-se ao Brasil,

participou na conferência da CPLP em Brasília, visitou o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo e no Rio foi recebido na Academia Brasileira de Letras, onde palestraram Malaca Casteleiro, Concha Rousia e Chrys Chrystello, antes de se rumar a AÇORIANÓPOLIS, a décima ilha açoriana, Florianópolis no Estado de Santa Catarina.

Em 2010, Bragança, no 14º colóquio, tivemos poemas de Vasco Pereira da Costa, uma vídeo homenagem ao autor e a declamação ao vivo do poema “Ode ao Boeing 747” em 11 das 14 línguas para que foi traduzido pelos Colóquios (Alemão, Árabe, Búlgaro, Catalão, Castelhano, Chinês, Flamengo, Francês, Inglês, Italiano, Neerlandês, Polaco, Romeno, Russo).

 
Em 2011, no 15º colóquio, uma numerosa comitiva deslocou-se a Macau

com o generoso apoio do Instituto Politécnico local e lá se firmaram novos protocolos. Ali se lançou o livro ChrónicAçores vol. 2 de Chrys Chrystello. 

No 16º colóquio, fomos pela primeira vez a Santa Maria, Ilha-Mãe homenagear Daniel de Sá.

Em Vila do Porto, além se apresentar a Antologia bilingue de autores açorianos, aprovou-se uma DECLARAÇÃO DE REPÚDIO pela atitude de Portugal que olvidando séculos de história comum da língua, excluiu a Galiza - representada pela AGLP - do seio das comunidades lusófonas. A Galiza esteve sempre representada desde 1986 em todas as reuniões relativas ao novo Acordo Ortográfico e o seu léxico foi integrado em vários dicionários e corretores ortográficos. A sua exclusão a posteriori do seio da CPLP representa um grave erro histórico, político e linguístico que urge corrigir urgentemente.

 
Em 2012 no 17º colóquio na Lagoa, reunimos 9 autores na HOMENAGEM CONTRA O ESQUECIMENTO:

Eduardo Bettencourt Pinto (Canadá), Caetano Valadão Serpa (EUA); de São Miguel: Eduíno de Jesus, Fernando Aires (representado pela viúva Idalinda Ruivo e filha Maria João); Daniel de Sá; da Ilha Terceira, Vasco Pereira da Costa e Emanuel Félix representado pela filha e poeta Joana Félix; da Ilha do Pico, Urbano Bettencourt, e do Brasil, Isaac Nicolau Salum (descendente de açorianos) com a presença da filha Maria Josefina.

Em outubro 2012, no 18º colóquio, levamos os Colóquios a Ourense na Galiza, parcela esquecida da Lusofonia, berço da língua de todos nós. Ali houve uma cerimónia especial da (AGLP) Academia Galega em que foram empossados oito novos Académicos Correspondentes. Foi um evento rico em trabalhos científicos e apresentações, mas com fraca adesão de público.

 Nesse ano difundimos o MANIFESTO AICL 2012, a língua como motor económico (http://coloquios.lusofonias.net/projetos%20aicl/manifesto2012aicl.pdf ) contributo para uma futura política da língua no Brasil e em Portugal. Dois importantes projetos dos colóquios viram a luz do dia em 2011 e 2012, a Antologia Bilingue de (15) Autores Açorianos Contemporâneos e a Antologia de (17) Autores Açorianos Contemporâneos (em 2 volumes), da Calendário de Letras e autoria de Helena Chrystello e Rosário Girão, lançadas em Portugal e Açores (2011-2013), Galiza e Toronto (2012) bem como as obras completas em poesia celebrando 40 anos de vida literária de Chrys Chrystello num volume intitulado Crónica do Quotidiano Inútil (volumes 1 a 5).

 
Na Maia (2013) no 19º colóquio, surgiram vários novos projetos,

a Antologia 9 Ilhas 9 escritoras, o projeto de musicar poemas, e novo Prémio Literário AICL Açorianidade. Registou-se a presença, pela primeira vez de representantes do Camões e do IILP (Instituto Internacional da Língua Portuguesa) da CPLP além do convidado de honra Dom Ximenes Belo.

 
Em Seia (2013) no 20º colóquio, criou-se um projeto de levantamento do Corpus da Lusofonia pelo Grupo Interdisciplinar, de Pesquisas em Linguística Informática (GIPLI).

Iremos continuar com o projeto de musicar poemas de autores açorianos, como a Ana Paula Andrade demonstrou no 19º e 20º colóquios ao apresentar temas de Álamo Oliveira, Luísa Ribeiro, Norberto Ávila, Concha Rousia e Chrys Chrystello. Igualmente iremos prosseguir com o projeto de musicar autores em versão pop, como tem sido feito pelo grupo de professores da Escola da Maia em São Miguel. Prosseguiremos à medida das disponibilidades dos nossos tradutores, com traduções de excertos de autores açorianos.

Tenta-se colocar a Antologia no Plano Nacional (já consta do Plano Regional de Leitura dos Açores).

 
2014, o 21º colóquio teve a particularidade de obrigar a fechar as inscrições dois meses antes da data

por excesso de oradores para o idílico local – a Praia dos Moinhos de Porto Formoso.

Lançou-se o 2º Prémio Açorianidade (Poesia).

Lançamos neste 21º Colóquio mais dois projetos: a Coletânea de Textos Dramáticos de autores açorianos, da autoria de Helena Chrystello e Lucília Roxo (incluindo Álamo Oliveira, Martins Garcia, Norberto Ávila, Daniel de Sá, e Onésimo T Almeida) bem como a Antologia no feminino “9 Ilhas, 9 escritoras” incluindo Brites Araújo, Joana Félix, Judite Jorge, Luísa Ribeiro, Luísa Soares, Madalena Férin, Madalena San-Bento, Natália Correia, Renata Correia Botelho.

 
Em 2014, no 22º colóquio em Seia, tivemos dois dos maiores vultos da ciência portuguesa,

desconhecidos para a maioria da população –José Carlos Teixeira do Canadá, especialista em Geografia Humana e o professor José António Salcedo, especialista mundial em ótica e laser.

Conseguimos trazer um numeroso grupo de 20 dançarinos de Timor-Leste  (Timor Furak e Le-Ziaval) que ao longo de três sessões nos encantaram, numa aproximação entre culturas lusófonas distantes.

 
23º colóquio no Fundão 2015:

Anunciou-se a preparação do volume 9 Ilhas, 9 autores 9 línguas traduzidas.

 
24º Graciosa 2015, aceite a proposta do associado José Soares de admitir Dom Carlos Filipe Ximenes Belo como Sócio Honorário

e tentar obter apoios para a publicação de um livro já completado por Dom Ximenes Belo sobre um missionário açoriano no Oriente.

Aceite a proposta do júri do Prémio AICL para que Norberto Ávila seja o autor a homenagear em 2016

 
25º Montalegre abril 2016. Foi anunciada a presença no 26º colóquio do outro Prémio Nobel da Paz de 1996, Dr José Ramos-Horta.

Nesse colóquio lançaremos o CD de autores açorianos musicados. Em 2018 no Pico iremos fazer um concerto especial com as partituras do Padre Áureo da Costa Nunes e convidaremos autores picoenses ainda vivos

 
26º colóquio Lomba da Maia 2016: PROJETOS SAÍDOS DESTE COLÓQUIO

A possibilidade de se editar em Portugal o livro infantojuvenil do presidente Ramos-Horta, aceitar Ramos-Horta como sócio honorário da AICL e patrono.

Nomear Urbano Bettencourt como autor escolhido para a Homenagem contra o Esquecimento 2017 em Belmonte e Vila do Porto.

 
27º colóquio Belmonte 2017: Aceitar a proposta da EMPDS e da Câmara Municipal de sediar os próximos colóquios de forma definitiva em Belmonte.

Aceitar a proposta de revitalizar o nosso projeto de 2009 do Museu da Lusofonia e construir nos próximos dois anos o primeiro módulo dedicado ao período de início da língua galaico-portuguesa até Carta de Pero Vaz de Caminha, a fim de poder ser incluído no Museu dos Descobrimentos. Foi já criada uma equipa multidisciplinar liderada pelo Professor Malaca Casteleiro, coadjuvado pelas professoras Maria Francisca Xavier e Maria de Lourdes Crispim. A preparação de imagens e textos deverá estar pronta no prazo de um ano a fim de a entregarmos à EMPDS para encomendar a transposição para elementos interativos. Posteriormente iremos tratar do segundo módulo, com a inclusão de línguas nativas da era dos Descobrimentos e posteriores (tupi, guarani, etc.) e evolução até aos nossos dias.

 
28º colóquio da lusofonia Vila do Porto 2017. Foram firmados novos protocolos com o Município de Belmonte e Hotel Belmonte Sinai

a vigorar – pelo menos – durante quatro anos, em que a nossa base será em Belmonte e nela se realizará um colóquio anual. Foi renovado o protocolo com o IECCPMA (Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes). Face ao protocolo firmado nesta edição dos colóquios com a autarquia de Belmonte tivemos de mudar a nossa programação futura (mais quatro anos seguidos em Belmonte, até 2021, uma vez ao ano, e os restantes obviamente nas ilhas dos Açores). O autor açoriano homenageado em 2018 será a compositora e maestrina Ana Paula Andrade.

No Pico durante 4 dias apresentaremos com a Ana Paula Andrade e Raul Leal Gaião a obra musical do Padre picoense Áureo da Costa Nunes e faremos uma Homenagem a Dom Jaime Garcia Goulart na Candelária com Raul Gaião e Dom Carlos Ximenes Belo. Igualmente iremos introduzir uma temática arqueológica e apresentar novo documentário de Timor-Leste e convidaremos a Mirateca ARTS a colaborar. Projetos a apoiar e desenvolver nos próximos 2 a 3 anos:

Editar o 2º livro da série Missionários açorianos em Timor de Dom Carlos F Ximenes Belo

Iniciar o projeto de poemas dedicados aos Açores a fotografias do Porto pela Fátima Salcedo

Trabalhar na preparação do 2º CD de autores açorianos musicados pela Ana Paula Andrade e divulgar o 1º CD

Prosseguir na antologia dos açorianos traduzidos em várias línguas que a Helena Chrystello começou em 2015

Apoiar dentro das nossas possibilidades não-financeiras, a edição do Dicionário de Crioulo Macaense de Raul Leal Gaião e a futura edição crítica das obras anglófonas dedicadas aos Açores na segunda metade do séc. XIX, a produzir por Rolf Kemmler. Por sugestão do nosso patrono e presidente da Assembleia-Geral, em 2018 iremos experimentar o modelo de 20 minutos para todas as sessões.

 
29º colóquio da lusofonia Belmonte março 2018, a EMPDS vai diligenciar para musealizar e converterem conteúdo digital o primeiro módulo do Museu da Lusofonia

proposto para ser incluído no Museu dos Descobrimentos já no 31º colóquio abril 2019 (Dos primeiros documentos em galaico-português à Carta de Pero Vaz de Caminha)

o ICPD (Instituto Cultural de Ponta Delgada) através do seu Vice-Presidente (João Paulo Constância) vai assinar um protocolo com a AICL para a colaboração ativa em vários projetos dos Colóquios

a AICL vai lançar, em moldes ainda por determinar, o segundo volume de Dom Ximenes Belo missionários Açorianos em Timor

a AICL vai convidar a MiratecArts para colaborar numa sessão especial do 30º colóquio na Madalena do Pico em outubro 2018

 
30º colóquio da lusofonia Madalena do Pico out 2018 Conclusões - 1. Congratulamo-nos pelo acordo com a Câmara de Ponta Delgada para ali realizarmos o 34º colóquio de 1 a 5 outº 2020 EDUCAÇÃO: uma ciência transversal que todos os governos deviam privilegiar, com os Convidados de honra Alexandre Quintanilha Presidente da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência https://www.parlamento.pt/DeputadoGP/Paginas/Biografia.aspx?ID=5930; José António Salcedo cientista https://www.facebook.com/jose.a.salcedo.988 e ainda o escritor Richard Zimler como escritor convidado.

2. Congratulamo-nos com os reforços dos laços com a autarquia de Belmonte que vai instalar o nosso núcleo da Lusofonia no Museu dos Descobrimentos com abertura prevista para abril 2019

3. Congratulamo-nos com o resultado das diligencias da AICL que irão permitir a geminação entre a Madalena do Pico e Belmonte, e conta-se com a presença lá do Sr. Presidente da Câmara,

4. Depois de propormos à C M Madalena o regresso dos Colóquios a esta vila ficou o mesmo mutuamente acordado para 23 a 27 de setº de 2021

5. Congratulamo-nos, que graças à ação da AICL, Ponta Delgada possa vir a ser incluída na Rede das Judiarias e que esse acordo seja já celebrado no próximo colóquio em abril 2019

6. Por proposta de Frederico Cardigos do Gabinete dos Açores em Bruxelas, vamos estudar a possibilidade de levar um grupo restrito (10-12) de autores açorianos a Bruxelas para numa sessão de 1 a 2 dias, divulgar a literatura de matriz açoriana e alguma da sua obra (livros ou excertos já traduzidos noutras línguas)

7. Proposta da AICL de acolher como sócio Sérgio Rezendes e promovermos a sua deslocação a escolas secundárias para promover o conhecimento da História dos Açores

8. Vamos prosseguir com o projeto de finalizar o projeto do busto de Dom Carlos Ximenes Belo com um custo entre os 6 e os 8 mil euros cujo molde inicial foi feito pelo artista plástico picoense Rui Goulart (ver em http://coloquios.lusofonias.net/XXX/ximenes%20um%20busto.mp4). Pensamos que uma autarquia ou outra entidade que financie esta obra possa ficar com ela para expor em local apropriado.

9. Damos publicamente um voto de congratulação á MIRATECARTS por colocar ao longo destes últimos sete anos, o Pico no mapa cultural internacional através das suas atividades diversificadas

10. Os autores homenageados pela AICL em 2019 e 2020 serão, respetivamente, EDUÍNO DE JESUS e ONÉSIMO T ALMEIDA

Muito resumidamente, foi isto que os Colóquios fizeram numa década e meia. Leia o sempre atual MANIFESTO (2012) contra a crise: a língua como motor económico  http://coloquios.lusofonias.net/projetos%20aicl/manifesto2012aicl.pdf

 
CONCLUSÕES 31º colóquio da lusofonia, Belmonte 12-15 abril 2019

 

  1. Salientamos com satisfação a assinatura de protocolo entre o Museu Judaico de Belmonte e a Sinagoga de Ponta Delgada, promovido no 30º colóquio da Madalena do Pico, a que se seguirá no 25 de abril a celebração da geminação da Madalena do Pico com a vila de Belmonte, também originado no 30º colóquio. Estas sinergias intermunicipais refletem bem o caráter agregador e dinâmico da AICL que agradece a presença do Sr. Presidente José Manuel Bolieiro e da sua delegação
  2. Salientamos a participação de académicos de várias áreas cientificas, vários países e regiões com a habitual presença da Galiza (Alexandre Banhos e Margarida Martins), a presença pela quinta vez de representação diplomática de Timor-Leste e a segunda participação de Cabo Verde pela académica, poetisa e juíza desembargadora Vera Duarte, nossa nova associada, e do nosso patrono e sócio-honorário Dom Carlos Ximenes Belo que assinalou a sua sétima presença de forma bem vocal no painel dedicado aos 20 anos após o referendo de Timor-Leste de 1999
  3. Foi oficialmente confirmada a participação de 3 autores lusófonos no 32º na Graciosa (Teolinda Gersão, Joel neto e José Luís Peixoto) e de cerca de uma vintena de autores açorianos, em novos moldes com formato de mesa redonda.
  4. Notável envolvimento da comunidade local nas sessões, em especial nos concertos e recitais em que a sala do auditório municipal praticamente encheu.
  5. Foi assinalada a qualidade dos 5 livros apresentados pelos autores neste colóquio (D Ximenes Belo, Missionários açorianos em Timor vol. 2; Raul Gaião, Dicionário de Crioulo Macaense; Vera Duarte “A Matriarca” e “A reinvenção do mar”; José Andrade “Açores no Mundo: as 15 Casas dos Açores”¸ Luciano Pereira, “Lusofonografias, Ensaios pedagógico-literários”.
  6. Regista-se com apreço a enorme capacidade de Ana Paula Andrade de conglomerar vontades para apresentar “Sodade” de Cesária Évora como música de fundo na intervenção do escritor timorense Luís Cardoso de Noronha (Takas) e  em seguida, apresentou a mesma versão cantada, em versão impromptu com Piki Pereira e Mintó Deus, além de chamar ao palco a jovem talento local Joana Carvalho que cantou, de improviso, em segunda voz “As ilhas de bruma”. A participação local de jovens intérpretes foi uma agradável surpresa e enviamos os nossos parabéns a todos (Francisca Marques (piano), Edgar Costa (acordeão), Juliana e Rodrigo bernardo (o mais jovem maestro português) e a Joana Carvalho
  7. O associado Terry Costa da MiratecArts apresentou um ambicioso projeto da Quinta da Lusofonia, um espaço de cerca de 800 metros quadrados dedicado às palavras, dos poetas e das poetisas de língua portuguesa, espalhados pelo mundo - desde os que já disseram o seu último adeus, às novas gerações que por aqui passam. A Quinta da Lusofonia está projetada para uma inauguração no outono 2021, arrancando as celebrações dos 10 anos da Associação MiratecArts, e na altura do 36º Colóquio da Lusofonia a acontecer na Madalena, ilha do Pico. 
  8. Foi bastante proveitosa e participada a divulgação do tema Judaísmo quer na visita à Sinagoga, Museu Judaico ou mesmo nas duas sessões dedicadas ao tema, muito enriquecidas pela apresentação por José de Mello da História da Sinagoga de Ponta Delgada e da inauguração de uma exposição de peças da mesma sinagoga que ficará em exibição até finais de maio.
  9. Numa reunião com Paulo Monteiro (GloryBox) responsável pela instalação do Museu dos Descobrimentos e pela sua próxima remodelação foi possível aumentar o polo da lusofonia para 3 módulos a saber:  1, medieval do galego-português a Pero Vaz de caminha, seguindo-se o português clássico renascentista, e 3º módulo os crioulos e dialetos locais e sua influência na língua. Se bem que o primeiro módulo coordenado pela equipa de Malaca Casteleiro, maria de Lourdes Crispim e Maria Francisca Xavier esteja pronto será preciso trabalhar no segundo módulo e para o terceiro a AICL disponibilizou já os contactos a fim de a empresa encarregue da renovação do Museu tratar diretamente com os especialistas.
  10. O presidente da Direção da AICL comprometeu-se a oferecer a sua Biblioteca pessoal a Belmonte como prova de gratidão aos excelentes anfitriões dos Colóquios 2016-2021,
  11. A EMPDS mostrou-se disponível para renovar este ano o nosso protocolo por mais 5 anos (até 2026)
  12. Luís Mascarenhas Gaivão comprometeu-se a expor a sua “Angola: muxima, desenho e texto (ver https://www.dailymotion.com/video/x6hq5l2 )” de sua coautoria com Luís Ançã no 33º colóquio em Belmonte e apresentar o seu mais recente livro no 32º na Graciosa
  13. A AICL pediu o apoio do Presidente da Câmara de Ponta Delgada (que prontamente acedeu) para ali levar no 34º colóquio uma exposição de pintura chinesa de Lotus de Jade Tchum
  14. A AICL pediu apoio na deslocação da jovem Joana Carvalho à Graciosa e a EMPDS comprometeu-se a custear a viagem da jovem intérprete dando a AICL apoio na estadia
  15. A AICL decidiu também patrocinar e levar à ilha branca, ilha da música, as sonoridades de Timor com Piki Pereira e Mintó Deus
  16. Vera Duarte comprometeu-se a tentar estar presente, pelo menos uma vez ao ano, e tentar obter apoios para uma pequena comitiva da AICL organizar um encontro em Cabo Verde, o que temos vindo a tentar há vários anos.
  17. A Câmara de Ponta Delgada prontificou-se a aceitar o repto do Presidente da Câmara de Belmonte para se juntar à Rede das Judiarias e se geminarem as duas localidades num futuro próximo.
  18. Saudamos o nosso patrono e cessante Presidente da Mesa da Assembleia-Geral Professor Malaca Casteleiro e a sua afável Conceição Casteleiro pelo apoio prestado e glorificação dos colóquios no período de 2007 a 2019. De igual modo saudamos o outro patrono fundador Professor Evanildo Bechara e Dona Marlit, por tão meritória ação em prol dos colóquios e publicamente anunciamos aqui que na última Assembleia-Geral de 12 de abril os elegemos Presidentes Honorários da AICL em preito de admiração pela projeção que trouxeram a estes eventos. Ao novo presidente da Mesa Luciano Pereira desejamos as maiores venturas.

 

 

 

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